“Às vezes eu sorrio para ninguém perceber. Outras vezes… sorrio só para mim, para lembrar que ainda estou aqui.” – Marina
Marina é a garota que todos acham forte.
Porque ela ri.
Porque ela dança.
Porque ela fala bonito e sabe fazer os outros se sentirem menos sozinhos.
Mas ninguém pergunta como ela faz isso mesmo estando em pedaços.
Por dentro, Marina é uma batalha silenciosa.
Uma corda esticada entre o que ela mostra e o que ela sente.
Ela é feita de doçura e tormento.
Carrega nos olhos o brilho de quem já viu demais. E nas costas, o peso de sentimentos que não cabem num corpo tão jovem.
Ela não é frágil.
Ela é exausta.
Dentro de Marina, há alguém sussurrando.
Alguém que a questiona, que a corrói, que a faz duvidar de cada gesto, cada palavra, cada olhar que recebe.
Esse alguém tem nome: Vesper.
Vesper não é uma figura qualquer, ele é a personificação da sua ansiedade, da sua depressão, das vozes que ela tenta calar com café, sorrisos e esforço dobrado.
E quanto mais ela tenta ser perfeita, mais ele a envenena por dentro.
“Você está ocupando espaço demais.”
“Eles não te amam. Só acham que precisam.”
“Vai estragar tudo de novo, como sempre faz.”
Ela ouve isso diariamente.
Mas nunca repete.
Não quer preocupar.
Não quer ser um fardo.
Então sorri.
Marina é a luta de milhares de pessoas que parecem bem.
Ela representa o brilho trincado de quem se esforça todos os dias para não se perder de si mesma.
Ela é aquela que estende a mão, mesmo quando está afundando.
A que escuta, consola, abraça… mas que volta para casa e chora sozinha no escuro.
Ela representa o paradoxo cruel:
Ser a força de todos, quando mal consegue se sustentar.
Escrever Marina foi como segurar um espelho.
Ela é a representação de tudo o que tentamos esconder por trás de sorrisos sociais e frases como “tá tudo bem”.
Ela é real demais.
Humana demais.
E é por isso que dói tanto ver Vesper crescendo dentro dela.
Ver Vesper corroer essa personagem dói demais, pois ela é tão bela, tão incrível, amável… É como se fosse a namorada ou amiga perfeita para você, topa tudo, sempre pronta para uma nova dança embaixo da chuva, ela é esse tipo de pessoa, porém dentro dela reside um terrível medo que a consome cada dia mais.
Mas ainda assim, Marina tem algo que seu demônio interno nunca entenderá:
ela ama, mesmo quando não sabe como amar a si mesma.
E isso…
isso pode ser a faísca da sua salvação.
Att,
Fernando Costa Slodkowski.
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