3 de abril de 2026

🌧️ NICOLAS — O Menino Que Escreve Para Não Desaparecer

image 1753820444079
Nicolas

“Eu escrevo porque, se eu parar, talvez eu deixe de existir.” — Nicolas


Quem é Nicolas?

Nicolas é só um garoto.
Mas não um garoto comum.
Ele é o tipo que sente tudo demais e entende cedo demais que isso o torna um alvo.

Na escola, ele tenta se esconder em cadernos.
No quarto, se fecha como quem constrói uma fortaleza de silêncio.
Mas por dentro, está gritando.

Nicolas é gentil, sensível, inteligente.
Mas carrega um abismo.

Ele se culpa por sorrir.
Se castiga por confiar.
E escreve como se cada palavra fosse uma âncora que o impede de afundar de vez.


Sua relação com o mundo (e com os outros)

Nicolas vive em guerra consigo mesmo.
Para os outros, ele é só um menino quieto demais, estranho demais, “introspectivo”.

Mas o que ninguém vê é que ele passa os dias lutando contra Enzo, a voz que o destrói, e sonhando com Marina, a luz que ele não acredita merecer.

Ele observa tudo.
Analisa cada gesto, cada silêncio, cada afastamento.
Ele sente antes de os outros perceberem.
E guarda tudo dentro de si, como se fosse proibido desabafar.

“Se eu falar, vou incomodar.”
“Se eu mostrar fraqueza, vão rir.”
“Se eu sumir, talvez seja melhor.”

E então ele escreve.

No diário, ele confessa o que nunca ousaria dizer em voz alta.
Seus textos são pedidos de socorro disfarçados de poesia.


O que Nicolas representa?

Nicolas é a luta interna de quem sente demais num mundo que sente de menos.

Ele é o retrato de uma geração que aprendeu a sorrir por obrigação e a se calar por medo.
A prova de que até quem parece quieto está enfrentando tempestades.
Ele representa a fragilidade que tenta resistir.
A gentileza que sobrevive à violência.

Ele é aquele que quer amar, mas não sabe se merece.
Aquele que quer viver, mas não sabe como continuar.

E mesmo assim… ele continua.


✍️ Palavras do autor

Nicolas é, talvez, o personagem mais doloroso que já escrevi.
Porque ele nasceu de verdade.
Da minha, da sua, da de quem já se sentiu fora do lugar mesmo estando cercado de gente.

Eu me baseio muito no Nicolas, ele é provavelmente a parte mais fiel de mim, um espelho do meu ser, da minha existência, quase como se fosse eu mesmo, só que com outro nome.

Ele não é um herói tradicional.
Não vai salvar o mundo.
Mas se conseguir salvar a si mesmo, já terá vencido a maior batalha de todas.

Escrever Nicolas é como olhar no espelho e ver todas as vezes que a gente fingiu estar bem.
É lembrar que, mesmo quando tudo parece perdido, ainda existe arte.
Ainda existe palavra.
Ainda existe alguém que escreve… para não desaparecer.

← Voltar

Ecos do Abismo (0)

Deixe sua marca nas sombras

Atmosfera

Junte-se à Escuridão

Receba novos contos e capítulos diretamente no seu e-mail.